quarta-feira, 5 de março de 2014

Bioquímica

Olá pessoal...
Paz e serenidade a todos!

Algumas vezes a minha mãe, dentro de sua ingenuidade e limitação para compreender a doença, me faz a seguinte pergunta: "Filha, ele está usando alguma coisa, às vezes? Você consegue saber se ele usou algo?"

Eu tento explicar-lhe que ele não tem mais controle, e que se usar qualquer coisa não conseguirá me esconder, que ele não vai conseguir "usar ou beber só um pouquinho e parar". E então ela se acalma, mas não consegue entender muito bem o porque de ser tão difícil, tão complicado. Acho que a cabecinha dela se enche de nós! Rsrsrs...

Já mencionei aqui que sou professora de Química, e hoje é a professora quem vai escrever para vocês. Talvez muitos tenham os mesmos nós na cabeça que minha mãe.

Estou finalizando um curso sobre tabaco, álcool e outras drogas, oferecido pela UFES. Foi um curso muito proveitoso. E esse mês iniciarei um outro específico para professores, da SENAD.

A dependência química é uma doença crônica e progressiva, além de complexa. O uso contínuo de substâncias psicoativas é capaz de provocar mudanças na estrutura/funcionamento do cérebro, ou seja, afetam diretamente o sistema nervoso central causando alterações mentais ou psíquicas.

Os neurônios são células nervosas responsáveis por transmitir as diversas informações ao cérebro, e ao corpo como um todo (dor, fome, medo, prazer, frio, sono, decisão de se locomover, etc...). Os neurônios liberam diversas substâncias químicas (neurotransmissores) que irão transmitir as informações necessárias (novamente: dor, fome, medo, prazer, etc...).

As drogas têm a capacidade de imitar os efeitos dos neurotransmissores. 

Como?

Vamos lá...

O cérebro possui um núcleo de prazer denominado "sistema de recompensa", cuja função é estimular comportamentos que favoreçam a manutenção da vida (entram aqui as atividades que causam sensação de prazer e bem estar: alimentação, sexo, lazer, sono, etc...).

As drogas agem, justamente, nessa região, gerando um prazer artificial, intenso e imediato. Concorrência desleal com as situações cotidianas, na qual o sujeito precisa enfrentar processos para alcançar o prazer desejado. Elas corrompem os mecanismos fisiológicos do cérebro, ou seja, o estímulo motivacional normal para se alcançar o bem estar é perdido, uma vez que a mesma sensação (e até maior) pode ser conseguida através de uma substância psicoativa.

Como?

O neurotransmissor responsável por agir no sistema de recompensa é a dopamina. A quantidade de dopamina produzida que não foi utilizada pelo cérebro, é recaptada e armazenada. A droga impede essa recaptação, fazendo com que haja um excesso da substância, o que causa uma enorme sensação de prazer e bem estar.

Com o uso constante o cérebro deixa de ser capaz de executar suas funções normais e passa a necessitar da droga para produzir dopamina.

Quanto mais rápido o início dos efeitos da substância psicoativa de uso, maior a intensidade dos mesmos, entretanto e menor o tempo de duração. Isso faz com que o usuário sinta a necessidade de buscar novamente pelos efeitos iniciais, o que aumenta o risco da dependência. O que explica os altos índices de dependência por cocaína e crack.

É isso minha gente, espero ter sido clara em minha "aulinha". Procurei utilizar termos não tão técnicos para facilitar a compreensão.

Ou seja...
Não é tão simples tratar a dependência química... É orgânico, é físico e psicológico. Tudo junto e misturado!


Ah, e, apenas como curiosidade, a cocaína tem efeito vasoconstritor (contrai os vasos sanguíneos), e por isso, antigamente chegou a ser muito utilizada como anestésico pela medicina.


Atualmente estou lotada na Secretaria de Educação e lá eu componho o Comitê de Prevenção às Drogas na Educação. Uma de nossas ações foi a criação de um site para auxiliar o trabalho dos professores na abordagem da temática. O site é um sucesso e já ultrapassamos os 100.000 acessos em sete meses.

Confira:



Um excelente restinho de semana a todos, com muita paz e serenidade!


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

15 de fevereiro e 12 de fevereiro

Olá, pessoal!

As coisas estão caminhando bem em minha vida. Graças ao meu Poder Superior, Deus, na forma como eu compreendo.
Estou em fases de altos e baixos emocionais, para variar, mas mesmo assim estou muito bem, não estou completamente recaída.
Digo isso porque, mais que nunca, estou me aprofundando no Programa e refletindo muito a cada tropeço. Ainda não me debrucei na literatura como gostaria e deveria, mas os momentos de reflexão já estão me dando muita força.

Tem dias que a dor é insuportável, quase uma abstinência, mas quando sentimentos assim chegam, eu "grito" silenciosamente a Oração da Serenidade, tento me acalmar o mais rápido que posso, e direciono meu pensamento para os lemas. Sábios lemas...

Meu amor também está bem. Se dedicando muito ao trabalho e comprometido com o Grupo. Esses dias ele comentou que vai junto com uns companheiros fazer o que eles chamam de HI para ver como é (visitas a hospitais e instituições). Sempre que possível ele também dá um pulinho na Clínica para rever os companheiros e partilhar um pouco com eles. O ambiente lá é leve e as portas estão sempre abertas aos ex-internos.

A recuperação, tanto do DQ quanto do codependente, é um processo milagroso e lento.
Cada dia é um novo dia, cada dia é uma chance de recomeçar, portanto, se erramos hoje, amanhã podemos tentar novamente, a fazer o certo para acertar.
Digo que é um processo milagroso porque viver o HOJE é bíblico. Ontem e amanhã são dias que não existem. Eu só tenho o hoje para viver.
Mas, ao mesmo tempo que isso é óbvio, verdadeiro e simples, é muito difícil de ser praticado. O que não quer dizer que seja impossível...

Mas vamos ao que interessa...
A postagem de hoje não será para falar de recuperação, trabalho, ou coisas afins... Ela será especial!
Meu último post foi no dia 12 de fevereiro, mas a correria não me permitiu dar conta de que dia era. Esse dia, assim como o dia 15 do mesmo mês, possui um significado muito especial na minha vida.

Vamos lá... Vamos falar um pouco sobre eles...

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15 de Fevereiro de 1999, segunda-feira de carnaval a tarde...

Era carnaval... Eu estava com um grupo de amigos numa cidade litorânea do ES, e meio enrolada com um carinha.
E então, na tarde desse dia, eu e uma grande amiga estávamos numa mesinha de um bar de frente para a praia, sobre a sombra de uma castanheira bem grande, enquanto o trio elétrico passava com seu barulho ensurdecedor. Nós estávamos em pé em cima do banco, para "olhar o movimento por cima". Até que ela falou ao meu ouvido (papo de garotas solteiras curtindo o carnaval na praia, rsrsrs):

"Amiga, olha ali do lado. Aquele carinha sem camisa, de bermuda amarela e óculos espelhado. É o S. Ele é lá da minha cidade, eu o conheço um pouquinho. Olha como ele é fofo. Se você der mole, rola..."

O segundo seguinte às palavras dela, quando eu olhei para o lado buscando o que ela me mostrava pode ser descrito como uma cena em câmera utra-lenta de filme romântico, na qual o casal se vê pela primeira vez...

Nos olhamos simultaneamente, ele retirou o óculos espelhado (péssimo, por sinal! rsrs) e permanecemos assim por cerca de 5 segundos, mas, como a cena estava em câmera ultra-lenta, durou 5 horas!
Ele estava bêbado, claro, mas lúcido. E eu levemente alterada...
O sol estava refletindo nele.
Senti as borboletas começarem a bater as asas dentro do meu estômago desesperadamente.
Não nos falamos, nem sorrimos um para o outro, nem nos apresentamos, nada... Apenas "nos vimos".
Nem mesmo nos dias que se seguiram do carnaval, nada aconteceu...
Eu sabia apenas o nome dele, de onde ele era e que ele estava disponível. Entretanto, eu estava enrolada, e para piorar, o carinha era da mesma cidade dele, eram conhecidos, talvez até amigos.
Ele sabia menos ainda de mim! Apenas que eu estava com esse cara... Dias depois, veio a saber também que minha amiga estava namorando com um de seus melhores amigos, quase primos.

Eu sei que o sentimento dele não foi o mesmo que o meu naquele momento. Na verdade, eu também ainda não havia mensurado e nem percebido a importância daquela cena. Ele era um bon vivant que só queria saber de curtir a vida adoidado. Era "o carinha popular da cidade", que "pegava todas as garotas que queria".
Eu sempre fui mais tranquila, romântica, no estilo "aprecie com moderação"... Mas eu também não me importei muito. Achei-o interessante, apenas isso! Se futuramente rolasse, ótimo, se não, ótimo também!


O primeiro beijo só aconteceu alguns meses depois, em abril ou maio, em um churrasco na casa de uma outra amiga. Foi bom desde a primeira vez. Uma química muito forte aconteceu entre a gente. A partir de então, foram várias saídas, beijos, risadas (ele sempre soube me fazer rir), encontros, loucuras, abraços, desencontros, alguns combinados, outros não. O tempo corrido máximo que ficamos juntos foi um mês. Mas todas as vezes que nos encontramos, sempre rolou algo. A última vez que ficamos juntos foi no réveillon de 2005, depois, não tive mais notícias.
Nunca houve compromisso, e nem a pretensão de que um dia aquela troca de olhares do carnaval chegaria ao ponto que estamos hoje.

Não imaginei que as borboletas que bateram asas no meu estômago naquele dia ficaram ouriçadas além da conta porque previam o que estava por vir no futuro. Mas o fato é que aquela primeira imagem, naquela tarde de carnaval, NUNCA saiu da minha cabeça, e isso sempre me intrigou, porque nunca tivemos nada sério. Eu sempre me recordei de cada detalhe daquele instante, que não durou mais que 5 segundos!

Eu o amo... Tenho certeza disso.


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12 de fevereiro de 2011, sábado, o dia todo...

Parece que foi ontem, mas já se passaram 3 anos! Nossa!

Nosso último encontro acontecera no réveillon de 2005, e desde então, nenhuma notícia, nunca mais, até que num dia qualquer de Setembro de 2010 meu amor me "achou" via telefone. Conversamos e nos encontramos rapidamente na rua, mas, dias depois ele sumiu do mapa novamente. Como esse era um comportamento típico dele, inicialmente eu não estranhei. Mas eu comecei a ter vários sonhos ruins, e decidi partir para uma busca desenfreada por notícias. Até que a mãe dele me contou que ele estava internado em uma comunidade terapêutica na cidade de Ipatinga - MG.

Começamos a nos corresponder por cartas (era o único contato permitido). Ainda tenho TODAS guardadas.
E em fevereiro a mãe dele permitiu que eu fosse visitá-lo.
A viagem de Vitória até lá dura cerca de oito horas de ônibus. Cheguei na cidade às 5h da manhã, porém a visita era somente a partir das 8h. Fiquei sentadinha no banquinho da (micro) rodoviária até dar o horário, feliz da vida! Nada abalava minha empolgação.

Não havia nada de concreto entre nós. Só tínhamos as lembranças de um "lance rápido" que acontecera no passado. Nunca namoramos, apenas nos enrolávamos. Isso significava que eu estava ali apenas como uma amiga, nada mais... Tentei me convencer disso, mas claro que não consegui.

Da mesma maneira que me recordo de cada minuto do momento em que o vi naquele dia 15 de Fevereiro de 1999, eu também me lembro exatamente da expressão do rosto dele quando me viu entrando pela porta da Comunidade Terapêutica. Ele sorriu com os olhos e com os lábios, simultaneamente. E naquele instante, minha "teoria da amiga" caiu por terra! A partir dali eu tive a certeza de que estaríamos juntos.

Nos abraçamos, mas não podia ser um abraço muito intenso. A instituição não permitia.
Passamos o dia juntos, de mãos dadas e dedos entrelaçados. Conversamos demais. Ele me falou sobre sua doença, fizemos planos, falamos do nosso passado, rodamos pela Fazenda, almoçamos juntos.

Hoje sei que ele já estava me manipulando (risos), porque naquela época eu era completamente crua no assunto dependência química, ou seja, alvo fácil! Eu trabalhava a temática na escola, dentro da minha disciplina, mas eu não tinha o conhecimento de causa!
Mas isso não importa mais. Essa fase passou...

Aquele dia foi um dos melhores dias da minha vida, independente do que veio depois. Naquele dia eu passei a acreditar no amor a primeira vista. Que as borboletas ficaram eufóricas naquele carnaval porque estavam tentando me avisar que aquele era o homem da minha vida. Descobri que eu o amei desde o primeiro instante que o vi.

Ficamos juntos até às 17h. Não nos beijamos, apenas nossas mãos se tocavam.
E então tive que ir embora... Nos despedimos com um abraço fraterno, e só!

Fiquei sentada na calçada em frente a Fazenda por uns 20 minutos esperando o taxista vir me buscar. A gente não podia mais conversar  ou ficar junto, e ele apenas me olhava de longe... Impotentes...
Cheguei na (mini) rodoviária por volta das 18h e meu ônibus só sairia às 22h. Chegou a ser engraçado eu ter que inventar coisas para fazer. Até banho no banheiro da (mini) rodoviária eu tomei! E acho que foi um dos melhores banhos da minha vida (risos), porque eu estava simplesmente morta de cansada. E quando entrei no ônibus eu senti essa enorme exaustão me derrubar, mas nada, absolutamente nada, me abalou. Nada tirava minha felicidade de tê-lo visto bem e ter passado um dia maravilhoso com ele.

Eu o amo... Sim... Tenho certeza disso... Eu o amo...


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A partir do momento em que decidimos ficar juntos, passamos por dias bons e outros ruins. Muitas lágrimas, palavras mal colocadas, enfim, muitos erros e acertos.
Tudo por conta de nossas insanidades e instabilidades. Ele por uma vida desregrada e eu por uma vida de baixa auto-estima.
Mas também tivemos, e temos, momentos maravilhosos, únicos...

Eu o amo tanto que só quero vê-lo bem e feliz, como ele está agora. Eu o amo tanto que decidi que o  meu Programa de Recuperação é a coisa mais preciosa da minha vida, e por isso vou me dedicar a ele. Eu o amo tanto que seria capaz de entender e respeitar a vontade dele se ele optasse por voltar atrás.
Doeria muito, mas...

Sim, eu o amo! Nossa, e como amo... E foi o amor que descobri que tenho por ele que me fez descobrir que preciso me amar mais.

E assim será...

Paz, serenidade e muito amor a todos. E maravilhosas próximas 24 horas!


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sutilmente

Boa tarde, pessoal...

As coisas andam bem por aqui, graças a Deus.
Alguns altos e baixos emocionais, mas tudo bem.
Ainda não consegui definir se estou ou não recaída, mas sei que estou lutando muito.
Estou me policiando e estudando a literatura. Ainda sinto enorme dificuldades em conter minhas fragilidades emocionais, mas estou tentando me dar tempo e me cobrar menos.
Mas vou chegar lá, sei que vou!

Estou estudando a Oração da Serenidade para que ela possa invadir meu coração com toda força que encontrar dentro de mim.
Cheguei a conclusão que estou na fase da "...Coragem para modificar as coisas que posso...".

Tenho plena consciência de que jamais vou modificar ninguém, e já consegui sabedoria para distinguir o que está e o que não está ao meu alcance, mas ainda me falta coragem e força para modificar a mim mesma. Ainda me sinto confusa e aflita. Ainda sinto muita dor.

Pensando nisso, reescrevi a oração, colocando nela meus anseios e gostaria de partilhar com vocês:

Meu Deus,
Conceda-me serenidade para aceitar que sou impotente e limitada.
E sanidade para não deixar a codependência me dominar e me fazer sair do eixo.
Que meu medo se transforme em fé, para que eu possa colher os frutos da recuperação.
Deus, minha instabilidade e minha fragilidade emocional são minhas maiores inimigas, e por isso eu preciso que o Senhor segure forte em minhas mãos, para que eu use a Sua força para derrotá-la.
Eu só posso modificar a mim mesma, então preciso de Sua coragem.
Ajude-me também a reconhecer meus defeitos de caráter, pois sei que eles existem, e para que eu consiga ser alguém melhor a cada amanhecer. 
Amém!


Está me ajudando a refletir sobre minhas atitudes.

A codependência é tão grave quanto a dependência, e por isso preciso me dedicar a mim mesma, me amar mais.

Tem uma canção do Skank, linda, por sinal, que traduz bem me meus devaneios:

"E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce...
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate (não)
Dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe enfim
Dentro de tudo que cabe em ti"



Às vezes, quando estamos recaídas, ou confusas, ou seja lá o que for, tudo que a gente precisa é de um abraço, um aconchego, ou mesmo o silêncio.
Não precisamos de palavras que nos deixam mais confusas ou tristes...

Espero que a minha oração possa ajudar.
Espero que, assim como eu e outras companheiras, muitas outras também resolvam buscar forças dentro de si para lutar e entrar em recuperação.

Espero, de coração, que a paz e a serenidade possam invadir sua vida!


Ah, e para descontrair, sugiro que assistam um vídeo bem bacana que fala as principais diferenças no cérebro das mulheres e dos homens.
Nós, mulheres, pensamos demais, sonhamos demais, esperamos demais e nos doamos demais, enquanto os homens são práticos demais.
Isso enlouquece ambas as partes! O vídeo ajudará a compreender muita coisa!!!

E quando pensarmos em dependentes e codependentes, as teorias são ainda mais intensas!

Enfim, espero que gostem!

Cérebro Masculino e Cérebro Feminino





quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Caminhando...

Boa tarde, minha gente...


"Os doze passos Nar-Anon sugerem vida, movimento... É um chamado que nos leva a abandonar o marasmo de uma estagnação que nos tem transformado em meros repetidores de atitudes que não são nossas, de escolhas que também não são nossas, em ritmos que não são nossos, em direção a metas que nos são impostas pela mídia, pelos modismos, pelo mundo. Esse é um chamado diferente!

É no acolhimento humano, caloroso e respeitoso de um grupo de iguais que começamos a acreditar e sentir a poderosa presença de um Poder Superior amoroso e, juntos, fortalecidos e confiantes, compartilhamos e nos entregamos com boa vontade à Sua orientação nessa jornada.

Mas, nossa humanidade / nossas dificuldades se revelam ainda grandes e recaímos, repetindo o que achávamos que estava superado em nós! Pouco a pouco, nesse processo amoroso, substituímos nossa humilhação pelos tropeços em humildade e aceitação, o que nos traz paz interior! Pedimos então a essa força gentil, que nos acompanha e cresce em nós, que nos ajude a continuar.

Com esse início de entendimento de nós mesmos, podemos agora ter um novo olhar para nossa história. Podemos fazer uma releitura de nossa vida e de nossas relações. E nos advém, então, o desejo, a necessidade, de repararmos o que fizemos a nós e aos outros.

Para ser coerente com esse propósito amoroso e libertador, precisamos nos conduzir com calma, paciência, perseverança, respeito às particularidades de cada um de nós, com a alegria de estarmos a caminho!

É uma caminhada individual, mas que não fazemos sozinhos!"
(Anônimo)


Esse texto foi retirado do Boletim Informativo Nacional do Nar-Anon (Edição Outubro-Dezembro/2013). Achei de uma pureza e uma simplicidade tão grande que senti a necessidade de compartilhar com quem não teve acesso ao mesmo. São palavras profundas, sinceras e verdadeiras.

A Reunião de ontem foi perfeita, uma das melhores que já participei. Tinha pouca gente, mas as partilhas foram cheias de sabedoria e amor.

Temos uma nova companheira, que é de SP e mudou-se recentemente para o ES. Ela falou coisas tão profundas ontem, tão cheias de sabedoria e amor, que muito me fizeram bem ouvir...

Fizemos a reunião em torno dos Lemas e da 1ª Tradição:
"Nosso bem estar comum deve vir em primeiro lugar. O progresso pessoal do maior número de membros depende da unidade"

Somos responsáveis apenas por nossa recuperação, temos controle apenas sobre nós mesmos, sobre nossas vidas, e nada mais. E a primeira tradição vem nos deixar isso bem claro, que precisamos pensar no nosso bem estar. Isso não é egoísmo, é o desligamento com amor.
Mas ao mesmo tempo, em uma sala, cuidamos uns dos outros. Nossas partilhas nos ajudam, nos tornam pessoas melhores. Em uma sala somos um grupo, mas ao mesmo tempo, somos um só!

Isso é o que chamamos de unidade de grupo!

Eu ainda erro bastante, e isso significa que ainda não deixei esse Programa Espiritual tomar conta, por inteiro, da minha vida. E ontem eu vi, claramente, onde eu mais estou errando: eu ainda crio expectativas em relação às escolhas 'do outro' (independente de quem é o outro). Escolhas essas que eu não posso controlar, escolhas essas que eu sou impotente.

Mas ontem eu aprendi que vivenciar o Programa não significa que não tenho o direito de errar, de sofrer, de chorar, de me sentir confusa... Preciso parar de me cobrar da forma que me cobro, afinal, errar é humano. O que eu não devo é deixar esses sentimentos me dominarem, pois quando eles me dominam, eles me corroem, me destroem e me levam ao sentimento de auto-piedade. 

Eu sou muito grata a esse Programa maravilhoso, a essa sala que me acolheu e que me mostrou o quanto sou amada pelo Poder Superior, o quanto sou importante. Eu sou muito grata a tudo que recebo diariamente. E sou muito grata às palavras que ouvi ontem.

Só Por Hoje eu posso aceitar minhas limitações e buscar o desligamento com amor.

Que a paz e a serenidade de um Poder Superior amoroso esteja com todos!

Beijo grande!




quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Até que ponto isso é importante?

Estou estudando o livreto dos lemas. Faço a mesma leitura diversas vezes, em dias diferentes, para tentar absorver o máximo possível daquilo que o texto quer me ensinar. E esse é um dos nossos lemas no Nar-Anon.

Precisamos aprender a parar e refletir a importância que nós damos aos fatos que acontecem em nossas vidas. Precisamos aprender, também, a evitar os comportamentos reativos.

Na verdade, trabalhando o lema, teremos uma sequência de aprendizados. Eu sei que não tenho controle sobre as ações e reações do outro, mas tenho controle sobre as minhas ações.
E eu posso definir o tamanho da importância que vou dar a um determinado fato.

Outro dia ouvi na reunião: "Evite o primeiro conflito".
E é verdade... Se antes de reagir a um conflito tivermos a serenidade para conseguirmos manter a calma e silenciar as emoções, muita coisa será evitada. 

E mesmo que venham algumas palavras que nos magoam, precisamos criar o hábito de perguntar ao nosso coração "até que ponto isso é importante?".

A compreensão desse lema nos ajuda a não entrar no ciclo da auto-piedade. Aprendemos a deixar de potencializar certas situações que nos fazem sofrer.

Na página 11 do livreto dos lemas, encontramos os seguintes questionamentos:
1- Isso é um contratempo ou um desastre?
2- Uma dificuldade ou uma tragédia?
3- Buscamos a perfeição nos outros, em nós, na vida?
4- É necessário que tudo seja feito do nosso jeito?
5- Eu quero ter razão ou quero ser feliz?

São questões que necessitam imensamente de nossa atenção. O ser humano é movido a sentimentos e pensamentos, uns mais outros menos, mas todos nós fazemos nossas escolhas com base no que sentimos ou julgamos ser o melhor para nós.
E quando nos assumimos codependentes e resolvemos buscar por nossa recuperação, compreendemos que nossas pensamentos nos traem e nos levam a cometer atitudes insanas.
No  meu caso, estou me concentrando nas duas primeiras perguntas e na última. São as que mais me dão trabalho!

Eu sou passional, sempre fui. E sou muito emocionalmente frágil. Tudo me abala demais e me leva ao sofrimento.

O sentimento que tenho amarrado dentro do coração é contraditório:
Eu não guardo mágoa, não fico remoendo ou me prendendo ao que passou, mas ao mesmo tempo sofro demais com algo que eu não esperava que acontecesse. Não sei lidar com o inesperado.

Se eu sou atingida com palavras a meu repeito que não são verdadeiras, palavras ditas com o único intuito de me ferir na hora da raiva, elas ficam, por muito tempo ecoando na minha cabeça. Não supero com facilidade algo que me magoou demais.

Uma fala agressiva no momento da discussão me dói muito menos que uma acusação injusta contra mim. Seja essa palavra vinda de quem for.

Por exemplo, eu trabalhei 12 anos na mesma Escola, e os últimos 3 anos foram um verdadeiro terror, por conta da gestão do último diretor que tivemos. Ele cometeu assédio moral com vários professores. Ele fez coisas inacreditáveis com profissionais exemplares. Foi um período muito difícil para todo mundo, tenso, cansativo. E até hoje me dói relembrar as coisas que ele me falou. Ele me humilhou demais, de maneira injusta.
Uma palavra injusta me corrói.
Uma palavra usada com o intuito de ferir, de ofender, me magoa...

Então, por isso tenho feito os questionamentos sugeridos pelo lema para ver se estou ou não potencializando os fatos. Se estou dando a eles uma importância maior do que eles merecem.

Meu DQ reclama muito isso comigo. Ele sempre chama minha atenção, fala que eu crio histórias na minha cabeça (algumas vezes ele está certo) a acabo me magoando com facilidade.

Então... O que preciso fazer?
Coube a mim tomar a decisão se quero ou não modificar isso.
Eu decidi que quero, mas ainda não consegui.

Gente, o exercício da entrega é muito simples!
Mas o fato de ser simples não quer dizer que seja fácil. Aliás, acho que é a simplicidade do lema que o torna tão difícil de ser aplicado na nossa rotina.

Falei sobre isso ontem em minha partilha na reunião. Minha ansiedade me trai, e o que eu preciso é aprender a lidar com ela. Foi ela que me levou a agir com impulso na discussão grave que tive com minha irmã, e que deu no que deu.

A parte da aceitação foi tranquila para mim. Não tive problemas para compreender que sou limitada, que não posso modificar o outro, que não tenho controle em relação às escolhas de cada um. Mas estou com dificuldades para modificar os meus pensamentos, em não permitir que minhas emoções me machuquem.

Tenho pedido a Deus para me ajudar. Para retirar de mim os meus defeitos de caráter, e para me dar armas para modificar diariamente aquilo que sou capaz de modificar.
A codependência é traiçoeira e silenciosa. E ela nos visita quando menos esperamos.
E ela faz com que minha fragilidade emocional fique ainda mais intensa, por isso, se eu não permanecer atenta, posso voltar ao ciclo doentio em que eu me encontrava há alguns meses atrás.

Não quero voltar a viver daquela forma melancólica.

Estou em busca da serenidade, e a forma mais fácil de encontrá-la é trabalhar o programa.
É aceitar que não há outra forma de ser feliz a não ser aprender a viver "um dia de cada vez", já que a vida se resume ao hoje, aqui e agora.
Se vivermos sofrendo com o que passou, não vamos conseguir viver bem nunca.

É isso, amigos...
Estejamos atentos aos lemas.
Eles são simples e cheios de sabedoria. Eles nos ajudam a melhorar nosso contato com o Poder Superior.

Desejo uma semana de muita paz e serenidade.



terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Promessa de ano novo...

Oi gente!

Mais um ano chega ao fim, e mais uma vez a gente lembra daquela antiga e linda canção:

"Este ano quero paz
No meu coração
Quem quiser ter um amigo
Que me dê a mão

O tempo passa e com ele
Caminhamos todos juntos
Sem parar
Nossos passos pelo chão
Vão ficar

Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer..."


Pois então...

2013 está chegando ao fim, estamos vivendo seus último momentos...
Foi um ano de muito aprendizado, muito crescimento, muita dor e muitas alegrias...

As festas estas estão tranquilas por aqui. Não viajamos. Ele está em escala de plantão e eu não estou de férias, e isso dificulta.

Além disso, na verdade, eu não estou muito no espírito de festas. O meu estado (ES) passou por dias difíceis. Tivemos uma das piores enchentes da história (a última foi em 1979) e nosso estado foi devastado. Estradas destruídas e cidades inteiras ainda isoladas/alagadas. Muitas perdas e destruição. A capital não sofreu tanto, mas, mais de 60 mil pessoas estão desabrigadas, incluindo na região metropolitana. Isso me desestruturou... Mas ao mesmo tempo, vi o verdadeiro espírito de Natal tomar conta da população para se mobilizar em ajudar o próximo. Foi lindo de se ver! Isso me emocionou mais ainda!

Mas, vamos falar de mim, e de meu amor... Para mim, o saldo final de 2013 foi positivo, graças a Deus, apesar de alguns percalços!

Meu amor segue limpo, trabalhando e feliz!

E eu também aprendi (e decidi) a entrar no Programa...

Ainda tenho muito a mudar, a aprender e a crescer...
Ainda tenho muito Programa para absorver e praticar...
Estou longe da recuperação completa! (Se é que ela existe!) 

Mas,o que mais importa para mim hoje, é que mesmo com a certeza de que ainda erro demais, pelo menos sou capaz de identificar com grande facilidade e lucidez aonde estão minhas maiores fraquezas e o que ainda preciso amadurecer...

Por exemplo, ainda não consegui direcionar o foco inteiramente para mim, e sei o quanto isso é importante para minha recuperação.
Frequentemente ainda sofro com algumas atitudes egocêntricas dele (típicas da doença). É um sentimento que me corrói, e luto muito contra ele, mas, às vezes ele insiste em aparecer. Muitas vezes, percebo que ele se comporta de forma egoísta porque é a maneira que encontrou para lutar contra suas vontades, que, se forem satisfeitas, podem ter consequências desastrosas.

Meu racional me explica direitinho o que está acontecendo, mas meu lado passional me impede de absorver...

Essa é a maior luta que preciso travar contra mim mesma em meu processo de recuperação. E é minha promessa para 2014, minha promessa de ano novo...

Em 2013 eu cheguei ao auge de minha codependência e da auto-piedade.
E ele, no auge da auto-suficiência...

Foram muitos altos e baixos...

Mas Deus é tão maravilhoso que nos fez ver que se a gente não olhasse para o lado certo, a gente iria se perder. E Deus me colocou naquela sala do Nar-Anon, e lá eu estou reaprendendo a viver.

Estou também aprendendo a enxergar o que não posso controlar. E que só posso modificar a mim mesma.

Por isso, tenho certeza de que vou chegar lá... Que vou conseguir e que 2014 será bem melhor que 2013!


Que venha o ANO NOVO... E que o ANO NOVO se faça NOVO!!!

Desejo um lindo recomeço na vida de cada um.
Muita paz no coração, saúde e serenidade!

Deus abençoe cada um de nós...

Beijo grande e até ano que vem...






domingo, 22 de dezembro de 2013

Retrospectiva - Parte II

E, conforme prometido, continuando minha retrospectiva.... 

Olhando para trás e vendo que tudo valeu a pena...

Minha vida profissional deu um giro de 360º em 2013!
No final de 2012 fui convidada a deixar a sala de aula e atuar na Secretaria de Educação. Senti muito medo de não dar conta... Assumi com um tremendo frio na barriga, afinal, eu seria a professora responsável no Estado por minha disciplina (química)! E eu sempre fui extremamente insegura e desacreditada de mim mesma.

Que medo!!! Era muita responsabilidade!

Mas acontece que eu dei, e estou dando conta!
O Programa me ajudou nisso também, a ser mais auto confiante... Coisa que os sete anos de terapia não me fizeram evoluir...

Eu sinto muita falta da sala de aula, dos meus alunos. Meu amor por eles é algo que não sou capaz de descrever. São adolescentes carentes de amor, limites, carinho, família...

Mas ao mesmo tempo, estou muito feliz na Secretaria. Tudo é muito diferente e estou aprendendo coisas novas. Amadureci muito em um ano.
Participo de reuniões, elaboro documentos da minha área, faço pareceres de materiais didáticos, etc...

Na Escola eu já abordava a temática das drogas, sempre sem tabus, de forma instrutiva, sem levantar bandeira "pró" ou "contra"... Eu apenas falava sobre o lado químico das substâncias. Minha disciplina favorece isso...

E por isso, além das atribuições relativas à minha disciplina, agora estou tendo uma oportunidade que nunca imaginei que seria capaz de fazer.
Ingressei no Comitê de Prevenção às Drogas nas Escolas, que nasceu no fim de 2012, como prioridade de Governo.
Tudo era novo...

E então veio o 1º Seminário Estadual de Prevenção às Drogas, realizado em junho. O tema foi "A Escola em Rede". Discutimos as formas de acionar as redes de apoio. O que a Escola precisa fazer caso tenha situações críticas de uso/abuso de drogas em seu ambiente.
Temos muitas Escolas localizadas em zonas de risco.
Minha Escola mesmo, fica num dos bairros da capital onde o tráfico é mais forte.

Tivemos representantes da Justiça, da Saúde, da Assistência Social. Tivemos apresentações de práticas exitosas de professores da Rede Estadual de Educação. 

Foi um sucesso!

A Secretaria de Educação é subdividida em 11 Regionais, e como desdobramento do Seminário Estadual, vieram os Seminários Regionais.

Cada Regional montou o seu Seminário, partindo do princípio de cultivar a ideia de se trabalhar em rede, mas direcionando as especificidades de cada lugar...

E, de agosto a novembro, o Comitê percorreu todas essas 11 regionais, para "levar a mensagem". Participamos de todos!

Cada lugarzinho nos surpreendeu de alguma forma...
Os municípios do interior capricharam. Fizeram direitinho seu dever de casa...

Alguns temas abordados foram:

- Valorização/desvalorização da família e estrutura familiar;
- Políticas de prevenção e redução de danos;
- Mudança comportamental e restabelecimento da ordem pública;
- PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência);
- Cumprimento das leis;
- Estabelecimento de parcerias e trabalho em rede;
- Fatores de risco e fatores de proteção;
- Amor exigente;
- etc, etc, etc...

Gente, não dá para descrever tão rapidamente o quão proveitoso foi cada uma das discussões.

Cada Regional nos presenteou também com mostras culturais apresentadas por alunos da Rede.
Tivemos peças teatrais lindíssimas. Uma delas foi apresentada por alunos internos da Penitenciária de Segurança Média que encontraram no teatro uma forma de recomeçar, e outra foi a apresentação de um Coral em Libras (isso mesmo, língua brasileira de sinais!)! Não teve quem não se emocionou!

Tivemos ainda grupos de dança e uma orquestra de violões composta por 12 adolescentes, 6 meninos e 6 meninas, tocando juntos! Acho que nunca vi nada mais lindo na vida!

Mas um fato, no mínimo estranho, me chamou a atenção. Das 11 Regionais, 3 pertencem à Região Metropolitana... E foi justamente nessas 3 que tivemos os únicos Seminários "fracos", digamos assim... As pessoas não deram o mesmo valor ao tema. O que pareceu demonstrar que as pessoas das grandes cidades preferem mesmo fechar os olhos ao assunto e assumir a postura de que "eu não tenho nada com isso, e isso não é problema meu".

Enfim...

E nesse meio tempo, assumi a Coordenação de um site de conteúdos de apoio ao professor para trabalhar a temática nas Escolas. Temos diversos materiais e vídeo aulas. O site é bem rico e devagar estamos melhorando ainda mais! Tudo que eu posto ali é escolhido com muito carinho, dedicação e amor...

Acesse e divulgue: De Cara Pra Vida

Na semana passada soube que o Secretário de Educação quer que a gente inscreva o site para concorrer ao Prêmio de Boas Práticas na Educação! E que vai instituí-lo como Projeto de Governo! (Que chique!!!)

Estou muito orgulhosa com esse trabalho. Já dei três entrevistas sobre ele!! E o apresentei nos Seminários Regionais.
Como se diz no facebook: Se sentindo feliz!
Acho que é uma das formas de se levar a mensagem, como diz o Passo 12!

E também, para completar, fiz um curso da SENAD e estou fazendo uma capacitação pela UFES em "Tabaco, álcool e outras drogas". Estou aprendendo muito!
E, para finalizar, em 2014 farei um curso da SENAD específico para professores.

Em alguns Seminários, quando apresentava o site, eu falava: "Infelizmente, quando eu mais aprendi sobre as drogas, eu sai da Escola!"

Esse aprendizado veio tanto da DQ de meu amor, quanto das atividades desenvolvidas no Comitê.

A vida é mesmo um eterno aprendizado...

Quero partilhar com você algumas das sábias frases que anotei nos diversos Seminários:

"... Nesse horizonte familiar desmantelado, a educação não forma para ser gente, forma para competir, para ganhar dinheiro. O sentido da vida não é encontrado e como resultado vem a depressão, o vazio, às drogas, a prostituição. Nossa cultura evoluiu para o desumanismo..."
(Padre Félix Bassini)

"As visões do homem são voltadas para o individualismo, o que dificulta a integração do ser humano. A droga é apenas um dos fatores. É preciso buscar uma mudança comportamental..."
(Lucas Rigoni - psicólogo)

"Chega desse papo de dizer para um adolescente que droga é ruim. Se você disser isso, ele responderá na hora que você está errado. Na escola e em todo lugar o trabalho precisa ser coletivo. Não podemos viver numa ilha, isolados..."
(Drª Janete Pantaleão - juíza da infância e da juventude)


"Todos temos problemas, até as crianças. Cada problema adequado a sua faixa etária, e se não soubermos  lidar com isso, ficamos vulneráveis. Existem muitos casos de abandono familiar."
(Capitão do Proerd)

"O modelo antigo 'diga não às drogas' é moralista e exclui o sujeito que já faz uso de entorpecentes. E também não considera as substâncias lícitas e medicamentos que estão no cotidiano. É um modelo de intolerância ao usuário."
(Roberta Scaramussa - psicóloga)



É isso gente...
2013 foi um ano abençoado e de muito crescimento profissional.
Estou realizada!



Ah, e antes de finalizar, quero partilhar com vocês uma coisa bacana que está acontecendo aqui no ES.
O Governo do estado criou a Rede Abraço, que montou um Centro de Acolhimento para familiares de DQs e DQs que querem ajuda.
O espaço conta com diversos profissionais capacitados para acolher quem precisar, além de convênio com diversas clínicas, caso seja necessário internação. É uma ideia inspirada em um projeto que acontece em Alagoas.

É claro que criou-se uma briga de egos entre Secretarias, mas o povo não está preocupado em saber de quem veio a ideia, ou se já existem outras redes que precisam ser fortalecidas, mas sim, em como encontrar ajuda... E lá é um bom lugar! Assim como os CAPS...
É isso... Um dia a gente chega lá...

Uma semana de paz e bençãos para cada um de vocês...
Um Natal iluminado e um 2014 de muitas colheitas...

Beijo grande!