sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O que esperar deles?

Olá...

Hoje quero falar um pouco sobre expectativas...

No que diz respeito a cumplicidade, o que esperar de um dependente químico na relação?
Será que podemos esperar algo deles?
A minha resposta é: DEPENDE!
Tenho DUAS linhas de raciocínio quanto a esse questionamento.

1ª Linha: DQ em recuperação

Um adicto está em recuperação quando ele aceita suas limitações e entende que precisa encontrar e aprender uma nova maneira de viver.
Esse homem (ou mulher) será como outro qualquer: com inúmeras qualidades e defeitos.
Ele será seu melhor amigo, seu companheiro, um marido fiel. Poderá ser um pai maravilhoso, caso optem por filhos. 
Você poderá fazer planos de viagens, ir ao cinema, andar de mãos dadas, conversar, sorrir.
Poderá também chorar junto na hora que o coração aperta.
Esse homem pode te ajudar nas tarefas de casa, te fazer surpresas, trazer presentes. Sonhar com a casa própria.
Esse homem vai te abraçar e cuidar de você com todo amor que você merece.
Esse homem reconhecerá o seu valor!


Com ele você pode ter momentos de altos e baixos, não por causa das drogas, mas porque em 100% dos relacionamentos esses altos e baixos existem!
Afinal, nem mesmo no mundo maravilhoso de Alice a perfei
ção existe!

Ouso a dizer, que esse homem poderá ser ainda mais completo que um "homem normal", como a sociedade gosta de dizer, porque ele compreende a importância de viver em serenidade e em busca de seu bem estar. Ele valoriza cada conquista e quando faz algo "errado", o Programa "grita" em sua mente e ele liga a luz de alerta.
Esse homem te vê como um anjo na vida dele!

Falo isso com propriedade, pois conheci vários adictos, com anos e anos de recuperação, e que são maridos maravilhosos. E eu nunca acreditaria que, num passado qualquer, já fizeram atrocidades para sustentar o vício se eu não tivesse escutado seus testemunhos!


2ª LinhaDQ fora da recuperação

A doença da DQ leva ao desvio de caráter.
É importante destacar que essa característica, na verdade, independe da droga, mas no DQ ela é um pouco mais latente. Conheço pessoas com um tremendo desvio de caráter, mas que não usam drogas!

Quando ele ainda não se aceitou, as coisas complicam um pouco mais...
Certamente você não poderá contar com ele para muitas coisas, aliás, para quase nada!
Triste realidade...

Ele não conseguirá te ajudar no mínimo que você precisa.
Já ouvi relatos de cortar o coração: grávidas, mamães etc.

Não ache que ele vai te ajudar a trocar as fraldas do bebê...
E não adianta implorar ou fazer chantagens. Ele não vai se comover!
Às vezes você está com problemas pessoais e só quer conversar ou precisa de um abraço apertado e de escutar a frase: "Calma, tudo vai dar certo!"
Às vezes você só quer desabafar...
Mas o adicto não vai conseguir te ajudar nessa...
O egocentrismo o domina!
Por mais que você sempre esteja disposta a ajudá-lo quando ele pede, na hora em que você pedir ajuda, não vai conseguir!
Ele não se importa com as contas da casa, com as crianças crescendo sem pai, com suas angústias, com nada...
Você não terá nada dele. Não quer dizer que ele não te ama, mas infelizmente ele tem "outras prioridades". É mais forte que ele.

Você pode estar com a cabeça a mil por hora, cheia de confusões mentais, problemas financeiros, de saúde, de medo de tudo. Não tente dividir suas angústias ou conversar sobre o trabalho com ele, porque você vai se frustrar!

Às vezes você daria tudo por um simples abraço apertado para amenizar seus problemas, mas ele não é capaz nem disso!

O mundo gira ao redor dele, apenas dele.


O que fazer, então?
Bom, o caminho que indico é que vá para o grupo e aprenda a praticar o exercício do desligamento. Aquiete seu coração no grupo...
Não crie expectativas em ABSOLUTAMENTE nada pois elas nos levam a frustração e a dor...
Olhe para si mesma e aceite as 24 horas que Deus te presenteou!



PS1: eu tive momentos com os dois personagens em minha ralação...

PS2: estar limpo é diferente de estar em recuperação (meu DQ já passou pelas duas situações).

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Não resisti, vim dar um "Oizinho"...

Oiê...

Não resisti, precisei vir aqui para dizer que estou bem.
Final de ano tranquilo, assim como o início do novo ano.
Em paz e conseguindo manter a serenidade ao longo das 24 horas que recebo para desfrutar a vida.

Ainda não é hora de voltar a escrever de maneira rotineira.
Ainda não é hora de muitas coisas. E repito isso para mim mesma todos os dias.

Entretanto, eu resolvi dar uma passadinha aqui para explicitar no que (ou em quem) me transformei após a dependência química ter feito parte de minha vida...

O desabrochar de uma Flor...


Da infância a adolescência...
Sempre fui sonhadora e vivia num mundo paralelo acreditando que os sonhos deveriam ser como nos contos de fadas  e não me conformava quando descobria que as coisas "não eram bem assim".
Um ciclo contínuo de autopiedade e uma sensação de vazio associada a sentimentos depressivos e de solidão me acompanharam desde a infância...
Eu era insatisfeita comigo mesma, com minha aparência, com meu corpo...
Eu não me aceitava e cresci me jugando como a pior das criaturas, aquela que sempre faz tudo errado. Sofria demais por tudo.

Da adolescência a juventude...
Entrei na faculdade muito nova, aos 17 anos, e fui morar em outro estado, a 650 Km de casa. Na época, nem eu acreditei que tive essa coragem. Eu não fazia nada sozinha, sempre fui dependente de alguém.
Só comecei a entender que eu tinha algumas capacidades por volta dos 20 e poucos anos, mas ainda assim, o medo era meu maior companheiro.
Auto-estima era uma palavra que não existia no meu vocabulário. Tive alguns "lances afetivos" nessa época, mas nada sério. Nenhum relacionamento concreto.
A auto-piedade era muito viva em mim. Latente...
Entretanto, eu já sabia que eu existia!
Concluí a faculdade e retornei para casa.

Da juventude a vida adulta...
Os sentimentos de vazio ainda faziam parte de mim. Culpas, medos, autopiedade, solidão, auto-estima  ZERO...
Lembro que só tive coragem de sair de casa usando um short (para algum lugar que não fosse praia) aos 26, 28 anos, por aí...
Conheci o DQ de minha vida em 1999, num carnaval, com 23 anos.
De 1999 até 2005 tivemos encontros e desencontros que aconteciam esporadicamente e sem compromissos.
Mas sempre era bom, deliciosamente divertido, mesmo sem termos nada sério, concreto...
Ele sempre soube me fazer sorrir.

Em paralelo, tive meu primeiro relacionamento sério com um outro cara. Eu era professora e ele office-boy. Foi uma história meio "Eduardo e Mônica", mas sem o final feliz narrado por Renato Russo. Uma relação doentia e dada ao fracasso desde o início.
Eu dependia emocionalmente dele e cai num fundo de poço com o término. O sentimento de autopiedade ficou ainda mais intenso...
Comecei a fazer terapia em 2007 e levei alguns anos para me reerguer.
Hoje olho para trás e vejo como, desde aquela época, eu já era completamente codependente.


RESUMINDO: levei cerca de 35 anos para começar a entender que eu era alguém.


A vida adulta - PARTE I
ANTES e DURANTE a DQ...
Com a terapia eu entendi que eu existo, que tenho valores, qualidades etc...
Mas ainda permaneci muito tempo cheia de conflitos e a auto-estima meio complicada. 
O DQ reapareceu na minha vida em 2011. Mas dessa vez iniciamos um relacionamento e hoje sei que aquele encontro de 1999 foi amor a primeira vista...
Eu acabara de sair do fundo de poço do relacionamento anterior.
Lembro das palavras de minha psicóloga: "Fique atenta, os DQs são extremamente sedutores!".
Acho que não compreendi muito bem o que ela queria dizer e encarnei o espírito de salvadora da pátria que tinha a missão de cuidar dele e protegê-lo. Tornei a me afundar! Claro!
E o poço foi muito, muito, muito fundo dessa vez...
E o resultado foi a internação dele, em 2012, de maneira traumática e dolorosa.
Ele havia perdido tudo, só lhe restava a vida.

A vida adulta - PARTE II
Dentro do poço havia uma mola...
Não sei explicar muito bem de onde veio a força que me impulsionou, acho que foi da fé.
Percebi que não adiantaria ficar lamuriando e deixando a dor me corroer. E então, descobri que havia uma mola dentro do poço, e essa mola me ajudou a sair de lá.
Algo dentro de mim gritava por respostas, eu queria compreender o por que daquilo tudo e, por isso, quando ele estava internado estudei muito sobre sua doença. Eu consigo perceber, com riqueza de detalhes, a metamorfose que passei.
O fato de ser professora de química, abordar o assunto nas aulas e trabalhar num ambiente onde a droga faz parte do contexto me ajudou bastante.
Três meses após sua internação nós reatamos.

Foi a primeira vez na minha vida que eu fiz algo que EU queria fazer, que tomei uma decisão com base nos MEUS sentimentos. E eu estava disposta a encarar o mundo para assumir a MINHA decisão de ficar com ele, independente do nariz torcido de alguém.

Eu era outra pessoa.

- Aprendi que não tenho que dar satisfação da minha vida para ninguém (salvo minha mãe).
- Não preciso que as pessoas aprovem minhas escolhas. Sou responsável por elas e por suas consequências.
- Aprendi que sou a única responsável por minha felicidade e por minhas tristezas.
- NINGUÉM, além do meu Poder Superior, sabe dos anseios do meu coração. As pessoas sabem apenas o que eu permito que elas saibam.
- Aprendi que em boca fechada não entra mosquito.
- Aceitei por inteiro meus defeitos e descobri minhas qualidades, meu valor e meu potencial.
- Descobri a felicidade pertinho de mim.
- Enxerguei que usava a máscara da auto-piedade e resolvi tirá-la.
- Descobri que minha auto-estima estava quase anulada e precisava mudar isso.

A vida adulta - PARTE III
Hoje completam-se exatos seis meses que o meu grande amor se foi.
E eu estou viva.
E outro dia, pensando na vida, comparei o rompimento com adicto com o rompimento com aquele outro cara, que mencionei na fase da "juventude a vida adulta".
Fiquei muito feliz com o resultado ao perceber o quanto evoluí...

Aceitação é a palavra que descreve o rompimento.
Chorei desesperadamente durante QUATRO dias. Depois olhei para mim mesma e disse:
"Eu tenho um Programa de Recuperação e um Deus amoroso que quer o meu melhor e que sabe de todas as coisas".

Aceitei a realidade que Deus havia preparado para mim, e a cada dia eu digo a mim mesma:
"Só por hoje o que eu tenho é a ausência dele aqui. Posso aceitar isso ou sofrer. Escolho aceitar!".

Aceitação, maturidade, sabedoria e uma busca contínua pela serenidade. É assim que eu vivo durante as 24 horas que recebo do meu Poder Superior.
A certeza de que tenho muitas qualidades e o reconhecimento de meus defeitos e meus desvios de caráter fazem com que a minha auto-estima cresça.

Ainda tenho um longo caminho, principalmente no que diz respeito a ansiedade, meu imediatismo. Eles fazem com que eu me sabote sempre.
Meu foco agora é trabalhar para controlar isso.
Acho que existe um ar de adicta em mim, pois tenho dificuldades em relaxar (risos).
Ainda tenho medos e receios. Ainda erro muito, mas aprendi a me perdoar diariamente e isso tem me trazido uma enorme leveza e paz no coração.

Mas, ao menos, hoje eu sou capaz de identificar os momentos de aflição exagerada, o que me leva a tentar respirar fundo, contar até 10 e esperar... Esperar o tempo certo...

RESUMINDOCom a ajuda de um Programa, levei cerca QUATRO anos para sofrer uma  metamorfose. Foi tudo muito rápido e mágico!


Concluindo: Precisei passar por um tsunami para me descobrir e me transformar numa pessoa infinitamente melhor do que eu era.
A DQ é muito triste e avassaladora, mas eu lutei para tirar o melhor dela.
Sim, eu aprendi que em tudo que passamos na vida podemos tirar algo de bom, basta mudar o olhar e enxergar as graças divinas.
Gratidão por eu ter me transformado em quem eu sou hoje!


Reflexão para hoje: 
Que eu me lembre sempre que a autopiedade destrói, enquanto a auto-estima me faz crescer. Crescendo sou capaz de me transformar em um ser humano desprendido e rico em emoções, podendo espalhar paz e serenidade onde vivo.
(Trinta e um dias no Nar-Anon - dia 5)

Paz, luz e 24 horas de serenidade a cada um de vocês!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Até breve...

Preciso deixar meu até breve.
Preciso assumir que não dá mais.
Aceitação é um dos pontos que trabalhamos no processo de recuperação.
Então preciso aceitar que não dá mais pra escrever.

Muita gratidão a cada um de vocês que está aqui comigo e que me ajudou a ser alguém melhor...
Isso não tem preço!

Mas não dá...

Calma, calma, calma....
Estou bem, serena e cada dia mais em busca do meu bem estar, como sugere a primeira tradição.
Estou feliz e em paz. Durmo tranquila e sem culpas todas as noites.

É claro que às vezes ainda saio do eixo, mas não me abalo. Não me cobro mais por isso, não me cobro a perfeição.
Normal sair do eixo às vezes...

Mas não dá mesmo!

A quebra de anonimato dele em relação a nossa história, que era tão linda e sagrada até então, foi inaceitável para mim. Já mencionei sobre isso aqui e sobre o quanto doeu.

Saber que a "namorada" pode ter acesso a MINHA vida, aos MEUS sentimentos e a NOSSA história não está sendo fácil de digerir e como não gosto de alimentar sentimentos ruins, melhor parar.

Incomoda-me decidir parar de escrever, já que é algo que faço com amor.
Amo poetizar a vida. Amo metáforas. Amo escrever... Se eu não fosse professora de Química seria de língua portuguesa!
Incomoda-me bastante também o fato de ter que me policiar sobre o que devo ou não devo escrever.
Incomoda-me...
Então, se for para escrever assim, prefiro abrir mão.

Eu deixarei de escrever, mas jamais conseguirei apagar os registros dessa história.
Não dá para retirar do papel as marcas deixadas pelo lápis...


Aqui tem o registro de uma linda história de amor, dedicação, luta, dor e vitórias.
Aqui tem crescimento espiritual.
Tem momentos de insanidade também, mas mesmo nesses momentos, há uma busca constante pela serenidade. 

Entretanto, eu não tenho como saber (e nem quero) a frequência com que ela acessa ou já acessou esse blog. Mas, se ela acha que EU (coitada de mim!) estou atrapalhando o namoro dela (palavras dela!), imagino que ela possa estar um pouco dominada por sentimentos inconstantes.

E isso não é bom para ninguém, principalmente para mim, que, ao contrário do que ela disse, não tenho culpa de nada.

Apesar da raiva aparecer as vezes, meu sentimento por ambos é de compaixão.
Já comentei isso aqui.
Compaixão por ele: porque não acredita em si mesmo e prefere viver na negação da doença.
Compaixão por ela: porque é muito triste viver uma relação assim, culpando uma terceira pessoa pelo que dá errado.

Sinto muito!

Enfim, se para evitar conflitos e viver em paz eu preciso abrir mão do blog, assim o farei...
Não dá mais.
Não dá para continuar partilhando a minha vida com vocês, sabendo que existe alguém que se incomoda tanto com minha existência, que pode estar acompanhando isso.

Definitivamente não dá...
Só por hoje não dá...

Então é um ponto final? Ou reticências?
Não sei...
Mas, vale lembrar que na última postagem mencionei sobre minha decisão de direcionar o foco para mim mesma.
Então, esta é a hora. E estou conseguindo fazer isso.
É um processo um pouco dolorido, mas que está valendo a pena.
E mudar o foco inclui não falar mais dele.

Depois do que ele fez, não quero o mínimo contato.
Já convivi muito tempo com ele na fase ativa e sei muito bem do que um adicto é capaz de fazer.
E não podemos esquecer que a doença é progressiva.

Mas, independente das atitudes dele, meu sentimento por ele é de extrema gratidão.
Apesar de ter me magoado muito ao me expor, o fato de ter me deixado foi a maior prova de amor que ele poderia me dar, afinal, ele me poupou de sofrimentos maiores, me poupou de reviver todo aquele furacão da doença ativa.
Sim, eterna GRATIDÃO!

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Quanto a mistura "água + vinho"...
Só tenho uma coisa a dizer...
Estou feliz e sem expectativas. Continuamos nos conhecendo, conversando, conversando, nos conhecendo, conversando mais um pouco...
Está tudo bem!

Quanto a nós, eu e vocês, minhas companheiras, estaremos unidas sempre.
Sabemos como nos encontrar, nos reconhecer e nos comunicar.

Saibam que estou bem e feliz!

Amo vocês...
Gratidão por me ajudarem e me amarem!




quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Dois Grandes Encontros...

Olá...
Saudações!

Acho que preciso dar um retorno sobre o fim de semana, não é mesmo?

Desde já adianto que foi um fim de semana de DOIS ENCONTROS mega especiais e contarei sobre ambos.

Para quem leu a postagem anterior (se você não leu, clique aqui!), com minha explicação científica sobre a mistura "água + vinho", posso resumir assim:
A química é mesmo muito perfeita!

Se você compreendeu a metáfora que usei na postagem, percebeu que associei a química para tornar mais leve minha decisão de desviar totalmente o foco do adicto, e de suas escolhas, e direcionar o foco para mim mesma.

Afinal, chega de dar holofote ao adicto que escolheu outro caminho, né???
Direito dele, escolhas dele e consequências dele.
Se são certas ou erradas somente ela poderá responder.

Sendo assim, é isso... 
Só por hoje, o holofote agora pertence a Flor...


E por isso, voltando a ciência, para você que até hoje não sabe para que estudou química no ensino médio e acha que ela não serve para nada, entenda que:
- todas as nossas emoções não passam de um conjunto de reações químicas;
- incluindo as sensações de prazer, de amor, de ódio, de bem estar etc;
- somos controlados por hormônios (substâncias químicas) que desencadeiam essas sensações;
- acho até que é válido frisar que a adicção acontece devido a substâncias químicas presentes em medicamentos, plantas, compostos sintéticos, bebidas etc, que são capazes de causar dependência psíquica, física e/ou química em nossos organismos devido às enormes sensações de prazer desencadeadas. 

Garanto que isso é o mínimo dos mínimos que a química é capaz de fazer com você!
(Risos!)


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O primeiro, e especial, encontro...

Bom, rompi minhas barreiras e fui...
As borboletas no estômago só pararam de bater as asas quando cheguei até ele, que com sua sutileza conseguiu logo me deixar à vontade.

E foi muito legal...
Sim, realmente somos diferentes. Muito diferentes...
Senti as diferenças.
Mas por isso que foi legal, foi importante, foi diferente, foi excêntrico, foi doce...

Ficou muito claro para mim o quanto esse passo era fundamental para eu me permitir renascer. Para eu entender que, só por hoje eu tenho escolhas e:

"...me ajustarei à realidade e não tentarei ajustá-la a mim. Aceitarei a vida da forma que ela se apresenta e me ajustarei a ela".

A minha realidade é que o adicto escolheu não mais fazer parte da minha vida.
E eu não tive a mínima participação nessa decisão, quem desistiu foi ele, não eu!
Sendo assim não posso (e nem vou) sofrer ou me culpar se algo der "errado" em tal decisão.
(Lembrando que a minha concepção de "errado" pode ser bem diferente da dele)

Em contra partida, tenho muita gratidão, pois, caso ele esteja fazendo escolhas que o levem a permanecer na negação da doença, EU NÃO PARTICIPO MAIS DISSO!
Sendo assim, ele me poupou a dor e o sofrimento.

Mas, voltando ao encontro...
Percebi que eu ainda estou dentro de um casulo.
Inicialmente senti medo, insegurança... Senti um montão de coisas...
E me permitir sentir tudo.
O programa me ensinou que eu posso, e devo, me permitir a sentir absolutamente tudo, desde que eu saiba lidar com tais sentimentos e dê a eles a sua real importância e escolha como vou reagir às emoções.

Então eu digeri!
E depois fiquei leve...
E vi que foi o primeiro passo para começar a sair do casulo.


E foi maravilhoso me deixar conduzir pela ausência total de expectativas.
Repetindo as palavras dele antes dessa viagem:

"... Deixar acontecer
Aproveitar o dia
Por um dia
Uma hora
Um segundo
Seja como for..."

E assim foi...
E valeu a pena!

Eterna gratidão ao Poder Superior, que por me amar tanto, me apresentou alguém tão diferente de mim e que foi capaz de me ensinar tanta coisa.

E agora, o que faremos???
Não planejamos...
Mas continuamos conversando, nos conhecendo, conversando, conversando, nos conhecendo, nos conhecendo, conversando...

E assim será...



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O segundo, e esperado, encontro...

Esse vocês nem imaginam ainda...
O primeiro encontro aconteceu na Capital Federal, Brasília.
Ou seja...
Claro que encontrei também uma outra pessoinha. Alguém muito mais do que especial!

Eu e Poly passamos a segunda-feira juntas, até a hora de meu embarque.
Foi um momento meio mágico, acho.
O sentimento que tive era de que nos conhecíamos há anos...
Acho que essa sensação foi recíproca.

Trocamos muitas figurinhas e fofocamos.
Falamos de nossos trabalhos, trocamos ideias.
Almoçamos juntas.
"Planejamos" algumas coisas (Vou te cobrar heim, Poly! risos).
Conheci seu esposo, uma pessoa super iluminada e 'do bem', e eles me levaram ao aeroporto (Poly, diga a ele que estou na torcida aqui, e que vou cobrar a promessa dele também!).

Tenho muita gratidão a essa mocinha. Ela, de certa forma, foi um anjo em minha vida, não tenho dúvidas.
Ela cuidou de mim muitas vezes, mesmo sem saber, por meio de suas palavras escritas com tanto amor.
Ela me inspirou a seguir em frente buscando por minha recuperação.

Quando eu crescer quero ser igual a ela!


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E assim aconteceram meus encontros especiais do fim de semana...

No mais, desejo que as suas próximas 24 horas sejam de muita serenidade, luz e de paz.
Desejo que você olhe para si e veja o quão especial você é e que merece ser feliz!

Gratidão eterna!


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Polaridades

Metaforizando mais uma vez...

Sobre a água e o vinho...

As diferenças gritantes entre nós já não me incomodavam, aliás, como eu disse, elas estão até me divertindo...
Mas, lá no fundo, algumas borboletas estavam (e ainda estão) batendo as asas dentro do meu estômago, incansavelmente.
O novo sempre me causa certa insegurança...

Então, refleti bastante, li a literatura e cheguei a uma conclusão a partir de meus conhecimentos científicos, e vou dar a você uma pequena explicação química sobre o assunto!
(Como uma dedicada professora de química, adoro falar de ciência! rsrsrs)

Vamos lá...
Sobre a água e o vinho...
O que tenho a dizer?

Quimicamente falando, sermos "água e vinho" não há problema algum, o problema existiria se fôssemos "água e óleo".

Você já reparou que a gente consegue fazer, facilmente, uma mistura de "água + vinho", mesmo sendo substâncias completamente diferentes?
Reparou também que se tentarmos misturar "água + óleo" não teremos sucesso?

  

Sabe por que isso acontece?
Porque as moléculas que constituem a água e o vinho são, ambas, "polares", enquanto que para água e óleo, temos o óleo que é  "apolar".

TRADUZINDO:
Em ciência, só é possível misturar uma "coisa" com a outra se temos ambas polares ou ambas apolares. Por isso água e óleo não se misturam. Dizemos que possuem polaridades diferentes!

Somos água e vinho...
E daí?
Somos diferentes...
E daí?
Temos visões políticas diferentes...
E daí?

Se eu colocar o foco no fato de que somos ambos polares, então está tudo certo!
A mistura é possível de acontecer.
Essa está sendo a magia...

- Esqueci definitivamente o adicto?
Não é tão fácil, sabemos disso...
- Estou apaixonada pelo novo?
Claro que não, ainda é cedo.
- Temos uma relação?
Não... Até porque ele mora há alguns quilômetros de mim.

Entretanto, está sendo uma ótima oportunidade para eu retirar o foco do adicto e direcionar para mim, cumprindo o que é sugerido na 1ª tradição:
"O nosso bem estar comum deve vir em primeiro lugar..."

Só por hoje, o Programa me ensina que tenho a opção de aceitar com serenidade a realidade que tenho para viver as 24 horas que recebi.
Caso eu não aceite, eu irei sofrer.
Sendo assim, escolhi por aceitar a realidade!
E a minha realidade, nessas últimas 24 horas que o Poder Superior preparou para mim, é a ausência do adicto e a presença de alguém que está disposto e me trazer paz.

Então, por que não permitir?

Água e vinho?
E daí?

E, após receber as palavras abaixo, eu fiz a reflexão sobre a mistura "água + vinho" e me dei conta de que era uma mistura possível de acontecer. Então ele me convenceu a entrar num avião, no próximo final de semana, e ir encontrá-lo. E assim eu farei.

"...Com relação a você... Bom, sei lá o que me atraiu...
Talvez esse seu despojamento sem sentido, essa naturalidade*...
Quanto a vir, seria diferente, exótico, portanto, único...
...
... Se a sua espontaneidade permitir, venha.
Será assim, sem perspectiva...
...
Vamos fazer diferente
Ousar
Você vem
Ficamos juntos
Sem expectativas
Deixar acontecer
Aproveitar o dia
Por um dia
Uma hora
Um segundo
Seja como for...
...
Está disposta?..."

O Programa me ensina também que, só por hoje, eu tenho a opção de escolher SER FELIZ, e que eu serei tão feliz quanto eu decidir ser!
Todas as pessoas têm o direito de escolher que caminho querem seguir em suas vidas.
Ele escolheu o dele.
Eu estou escolhendo o meu: o caminho da serenidade e da aceitação, sem culpas.

Gratidão ao Poder Superior que cuida de mim de forma tão linda!

Paz e serenidade!



EXPLICANDO o ponto:
*seu despojamento sem sentido, essa naturalidade...
Até o final do Seminário (com quatro dias de duração) que realizamos pela Secretaria e que ele foi o principal palestrante, eu não havia trocado uma única palavra com ele.
Após o encerramento, morta de cansada e sem sapatos, sentei ao lado dele para uma foto e, sem querer, soltei um palavrão por conta da demora de minha amiga em registrar o momento.
No mesmo dia, bem mais tarde, ele entrou em contato...


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

As serpentes, a água, o vinho e o balanço

Gratidão...
Essa é a palavra que tomou conta de meu vocabulário e que não canso de repetir um único momento da minha vida.

Começo esse post falando de meu renascimento, meu processo de transformação.
Sim, ele está acontecendo.
Em doses homeopáticas, mas, no meu caso, acho que assim funciona melhor.

Os seres vivos são passíveis de transformação. No mundo animal, as transformações acontecem com muita frequência. Os animais se transformam por instinto, por sobrevivência, por renovação...
Um processo que sempre me causou muito encantamento é o de troca de pele das serpentes. Acho lindo!

As cobras mudam de pele periodicamente, e essa renovação deu a elas o posto de símbolo da saúde (já reparou que as serpentes são o símbolo da medicina?).


Eu imagino que seja um processo que tenha algum tipo de incômodo e, talvez, até um tiquinho de dor. A pele começa a soltar a partir do focinho e depois a cobra vai roçando o corpo em alguma superfície áspera para soltar o restante.

Outro dia eu li que se a cobra estiver bem de saúde a pele solta inteira, se a pele sair aos pedaços é porque algo está errado com ela (não sei a veracidade dessa informação).

Fiz uma analogia a nós, seres humanos (ditos superiores).

O homem, diferentemente dos outros seres, se transforma apenas se sentir o desejo de se transformar. E eu estou sentindo esse desejo!

Como um belo exemplo de codependente nata, dar início a um processo de transformação,  e aprender a direcionar o foco para mim mesma, sempre foi algo difícil e dolorido. Ou seja, como nas cobras, significa que algo não estava bem.

Entretanto, hoje está doendo menos. A pele está saindo inteira.
(Será que agora sou como uma cobra saudável?)
Confesso que a mudança ainda me assusta um pouco. O "novo" me assusta, mas não vou permitir que isso me impeça de seguir adiante.

Confesso que estou enamorada pela situação que estou vivendo com o sujeito 100% diferente, rsrss...

Ontem brinquei com ele que somos como água e vinho!

"...
Eu quero você assim,
Água e vinho, diferente de mim
Eu gosto de você assim,
Do começo ao fim

Nós somos completos, Matisse ou Picasso
Nós somos opostos, o pulo e o passo
Juntos distantes, planetas à parte
Você é a Terra e eu sou Marte
..."
(Capital Inicial)

É claro que ainda é muito cedo para qualquer coisa, qualquer exposição de sentimento, qualquer palavra antecipada, qualquer expectativa, qualquer plano.
Ainda é cedo!
Ainda é cedo, principalmente, para dizer que são reais alguns dos versos da canção acima.
Mas não é cedo para afirmar que está me fazendo muito bem.
Estou muito feliz!

Sentir-me valorizada, especial, importante.
Ser elogiada, apesar de minhas incontáveis trapalhadas.
Ser colocada em primeiro plano.
Gargalhar quando descubro mais alguma diferença absurda.
Tudo isso está me fazendo sorrir aos ventos.

E, por isso, percebi que aquele lindo balanço da última postagem, que Deus preparou com muito amor para eu me sentar e sentir a vida, acabou ficando pequeno...
Precisei de um balanço maior.

Afinal, por que não convidá-lo a sentar-se ao meu lado?
Ou melhor, por que não aceitar que ele se sente ao meu lado, já que é o que ele demonstra desejar?
Resolvi me permitir.

Paz e serenidade!